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27/08/2019
Por: VOLL

Vivenciar a revolução digital da mobilidade urbana diariamente já deixou de ser uma escolha

A mobilidade urbana não é mais vista como posse, mas como serviço. E tem que ser prático, acessível e de qualidade. Quem não acordar para isso ficará para trás. É o MaaS – Mobility as a Service.

O conceito da mobilidade urbana como um serviço prático, acessível, que enxerga o passageiro como cliente, alguém para quem se deve oferecer uma opção de deslocamento de qualidade, com múltiplas e fáceis opções de pagamento, que informe a hora de chegada e possa até ser acionado por um smartphone, chegou ao transporte público brasileiro. O Maas (Mobility as a Service, que significa mobilidade como serviço) começa a ser concebido e adotado em alguns sistemas, por operadores e gestores públicos. A disruptura é lenta e enfrenta desconfiança de muitos do setor empresarial – tão resistente a investimentos e à tecnologia –, mas já é vista como um caminho sem volta. Quem não abrir a mente e o bolso – porque investimentos serão necessários e eles não sairão do setor público, já sem recursos para o básico – ficará para trás. Será engolido pela revolução digital que a mobilidade urbana vivencia diariamente. Pelos mais diferentes aplicativos de transporte privado de passageiros que se proliferam no Brasil e no mundo. Incluindo aí, até mesmo os de micromobilidade – tão eficientes para os deslocamentos curtos.

MaaS como salvação do transporte público brasileiro

Tema central do Seminário Nacional de Transporte Público 2019, realizado na semana passada em Brasília, pela Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU), a entrada da tecnologia no setor é algo indiscutível. O que pode fazer a diferença em muitos sistemas de transporte coletivo brasileiros, tão carentes de recursos tecnológicos. E que, quando têm, são utilizados internamente, sem alcançar, de forma prática, o passageiro. O da Região Metropolitana do Recife é um deles. Que há cinco anos luta, por exemplo, para implantar plenamente o sistema oficial de monitoramento em tempo real dos ônibus e, assim, passar a disponibilizar a informação para o passageiro. Sem desmerecer o eficiente CittaMobi, app que ocupou a lacuna do aplicativo oficial, mas que, por não ser reconhecido pelo gestor, não consegue sair dos smartphones e chegar aos terminais integrados e estações de BRT, por exemplo.

Acreditem, isso não é o futuro. O MaaS já é o presente. E o transporte público precisa aderir a ele. Vê-lo como um negócio, que é rentável. A economia da inovação gerou US$ 15 bilhões em 2013. E os números mostram que, em 2025, a economia compartilhada dividirá os lucros igualmente com a mobilidade convencional no mundo. No ano passado, a micromobilidade compartilhada (bicicletas e patinetes) gerou 84 milhões de viagens no mundo e, por isso, é importante vê-la como aliada”, diz Matheus Sousa Oliveira, do Programa de Engenharia de Transporte (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Adotar o conceito MaaS virou a grande aposta daqueles que pensam um transporte público de qualidade. Não foi à toa que as discussões sobre as possibilidades e os exemplos que já estão funcionando no mercado atualmente predominaram no congresso. O transporte público precisa chegar na palma da mão do passageiro e estar integrado com outros modais de deslocamento. De forma fácil e prática. E logo. É uma revolução para ontem. O setor está atrasadíssimo. Caso contrário, o passageiro pegará um Uber ou um 99. Investimento em tecnologia é a principal reação do transporte público para tentar reverter as históricas perdas de passageiros – 12,5 milhões em um ano (de abril de 2018 a abril de 2019) e uma média de 3,5 milhões por dia.

Incentivar esta revolução do transporte é necessário

“Estamos falando da revolução digital do transporte. Passar a vê-lo como um serviço, não um produto. O Google, por exemplo, não vende produtos, vende serviços. E o MaaS chegou para reforçar essa lógica. Para proporcionar um transporte público integrado. No qual o cliente (passageiro) pague a tarifa digitalmente, tenha pacotes diferenciados e possa dispor da integração com outros modais, como a bicicleta e o patinete, por exemplo. Acreditem, isso não é o futuro. O MaaS já é o presente. E o transporte público precisa aderir a ele. Vê-lo como um negócio, que é rentável. A economia da inovação gerou US$ 15 bilhões em 2013. E os números mostram que, em 2025, a economia compartilhada dividirá os lucros igualmente com a mobilidade convencional no mundo. No ano passado, a micromobilidade compartilhada (bicicletas e patinetes) gerou 84 milhões de viagens no mundo e, por isso, é importante vê-la como aliada”, ensina o professor Matheus Sousa Oliveira, do Programa de Engenharia de Transporte (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ou seja, é preciso inovar e se reinventar. E logo.

 

 

 

 

 

 

Conteúdo produzido por Roberta Soares, com versão completa disponível em fonte original no UOL.

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