Duty of Care: o que é, como funciona, importância e exemplos
Duty of Care é um conjunto de obrigações que a empresa deve seguir para manter a segurança de seus colaboradores. Confira como se adequar em nosso artigo!
Duty of care é um termo em inglês que significa “dever de cuidar”. Para as empresas, no entanto, vai além da tradução literal: trata-se da responsabilidade ética e legal de proteger colaboradores durante atividades profissionais, inclusive em viagens corporativas.
Isso porque, o mercado de viagens corporativas voltou a crescer de forma consistente nos últimos anos. No Brasil, o setor se destaca, figurando entre os 10 maiores mercados globais e atingindo um recorde de R$ 135,4 bilhões acumulados em 2025, com crescimento contínuo e perspectivas positivas para 2026.
Ainda que esse movimento indique uma forte retomada operacional, o cenário marcado por instabilidades geopolíticas, eventos climáticos extremos, riscos sanitários e mudanças digitais faz com que deslocar colaboradores passe a envolver responsabilidade ativa sobre a segurança e o bem-estar dos colaboradores.
Por isso, é importante que aqueles envolvidos com as viagens de trabalho entendem o que é esse tema, quais as responsabilidades da empresa e como é possível atuar nessas questões.
Neste post, você encontra:
- O que é duty of care e como o conceito se aplica às viagens corporativas;
- Por que ele é estratégico para retenção de talentos, produtividade e mitigação de riscos;
- Quais são os principais riscos envolvidos em deslocamentos profissionais;
- Como integrar o duty of care à política de viagens da empresa;
- Quais passos seguir para estruturar um programa consistente;
- Como contar com apoio especializado para fortalecer a gestão de viagens corporativas.
O que é duty of care?
O duty of care é o conjunto de ações e obrigações que uma empresa deve assumir para garantir a segurança e o bem-estar de seus colaboradores, especialmente durante viagens corporativas.
No contexto das viagens corporativas, esse dever se traduz na obrigação de identificar, avaliar e mitigar riscos associados aos deslocamentos, garantindo condições adequadas de segurança, suporte e resposta a incidentes.
Embora o termo não esteja explicitamente previsto na legislação brasileira, ele encontra respaldo em princípios da responsabilidade civil e nas normas de saúde e segurança do trabalho previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Internacionalmente, o conceito é reforçado por diretrizes como a ISO 31030, norma que estabelece boas práticas para gestão de riscos em viagens corporativas e que orienta empresas a estruturarem políticas, processos e mecanismos de monitoramento contínuo.
Sendo assim, o duty of care é uma obrigação ética e legal das empresas.
Por que o duty of care é estratégico para as empresas?
O duty of care é estratégico para as empresas porque transforma a ótica da segurança e do bem-estar dos colaboradores de uma simples obrigação legal em uma vantagem competitiva. Ele também impacta na experiência geral do colaborador e na retenção de talentos.
Segundo o jornal de viagens Travel Daily Media, 35% dos viajantes de negócios priorizam opções de viagem que promovem o bem-estar, e 87% deles inclusive considerariam deixar uma empresa que negligencia esse aspecto.
Além disso, estudos conduzidos por associações como a GBTA mostram que a segurança e bem-estar do viajante estão entre as principais prioridades de gestores de viagens, e que isso influencia decisões de fornecedores, políticas de viagem e adoção de tecnologias de monitoramento.
Além disso, o duty of care ainda impacta diretamente aspetos como:
- Produtividade e foco na missão da viagem: quando há clareza sobre protocolos de segurança, canais de suporte e planos de contingência, o colaborador reduz a preocupação com imprevistos e mantém o foco nas atividades profissionais;
- Redução de riscos jurídicos e trabalhistas: ao demonstrar que adotou medidas preventivas para proteger seus colaboradores, a empresa reduz exposição a litígios e questionamentos sobre negligência em casos de incidentes;
- Proteção da reputação corporativa: incidentes envolvendo colaboradores em viagem podem gerar repercussão pública. Ter um programa estruturado de duty of care demonstra responsabilidade institucional e fortalece a imagem da empresa perante mercado, clientes e investidores;
- Continuidade operacional: em situações de crise, como eventos climáticos extremos, instabilidade política ou emergências sanitárias, empresas com protocolos definidos conseguem reagir com maior agilidade, evitando interrupções prolongadas nas atividades.
Assim, para que o duty of care seja efetivo dentro da gestão de viagens corporativas, ele precisa deixar de ser tratado como um princípio genérico de proteção e passar a integrar a estrutura de governança da empresa.
Organizações que adotam o conceito de forma superficial tendem a restringi-lo a ações pontuais de suporte ou a respostas emergenciais.
Já empresas com programas mais maduros estruturam o duty of care como parte do modelo decisório que orienta riscos, responsabilidades e políticas internas.
Quais são os pilares do duty of care?
Os principais pilares do duty of care são:
- Gestão de riscos e conformidade regulatória: identificação prévia de vulnerabilidades, análise de contexto antes de viagens ou operações externas e alinhamento às exigências legais trabalhistas e de segurança. Em viagens corporativas, isso inclui avaliação de destinos, exigências sanitárias, restrições locais e diretrizes internas de compliance.
- Proteção física e segurança da informação: prevenção de ameaças à integridade do colaborador e proteção de dados corporativos durante deslocamentos. Isso envolve desde escolha de fornecedores confiáveis e protocolos de transporte até políticas de cibersegurança em redes públicas e dispositivos móveis.
- Saúde física e apoio emocional: estruturas que consideram não apenas acidentes ou incidentes, mas também fadiga, sobrecarga, estresse e impactos à saúde mental associados a deslocamentos frequentes. Programas de assistência médica, apoio psicológico e políticas claras de descanso fazem parte desse escopo.
- Comunicação contínua e monitoramento em tempo real: capacidade de localizar colaboradores em deslocamento, enviar alertas preventivos e manter canais ativos de atendimento 24 horas. Em viagens corporativas, esse pilar é decisivo para respostas rápidas em situações como cancelamentos, eventos climáticos extremos ou crises regionais.
- Capacitação e preparo prévio: orientação clara sobre protocolos de emergência, políticas internas, uso de equipamentos de proteção quando aplicável e informações sobre o destino antes da viagem.
- Abrangência ao longo de toda a jornada: o duty of care começa antes do deslocamento, com planejamento e análise de risco, se estende durante a permanência fora da base e continua após o retorno, com registro e avaliação de incidentes. Ele cobre viagens nacionais e internacionais, deslocamentos curtos, longas estadias e situações emergenciais.
Saiba também: Os impactos da falta de histórico sobre incidentes em viagens corporativas
Principais riscos em viagens corporativas e como mapeá-los
A exposição a riscos é inerente à mobilidade corporativa. No entanto, o impacto desses riscos depende menos da sua existência e mais da capacidade da empresa de identificá-los e gerenciá-los. No contexto do duty of care, mapear riscos não significa prever crises específicas, mas compreender vulnerabilidades associadas ao destino, ao perfil do viajante e à natureza da atividade profissional.
Entre os principais riscos relacionados às viagens corporativas, podemos citar:
- Riscos de saúde: doenças, emergências médicas, surtos locais, exigências sanitárias, infraestrutura hospitalar limitada ou barreiras linguísticas que dificultem atendimento adequado;
- Riscos de segurança pessoal: furtos, assaltos, violência urbana, instabilidade social ou exposição a áreas com alto índice de criminalidade;
- Riscos geopolíticos e regulatórios: mudanças repentinas em regras migratórias, instabilidade política, manifestações, restrições governamentais ou conflitos regionais;
- Riscos climáticos e ambientais: eventos extremos, desastres naturais, interrupções logísticas causadas por condições meteorológicas severas;
- Riscos operacionais: cancelamentos de voos, greves, perda de conexões, falhas de hospedagem ou indisponibilidade de transporte local;
- Riscos digitais: exposição a redes inseguras, vazamento de dados corporativos, ataques cibernéticos ou perda de dispositivos.
Veja agora algumas etapas que os especialistas da VOLL classificam como indispensáveis na identificação e mitigação de riscos:
- Classificação de destinos: categorizar destinos por nível de risco (baixo, moderado, elevado), considerando indicadores de segurança, saúde e estabilidade;
- Análise do perfil do viajante: avaliar experiência internacional, domínio do idioma local, histórico médico e função exercida na viagem;
- Avaliação da criticidade da missão: determinar o impacto da viagem para o negócio e o grau de exposição envolvido;
- Definição de protocolos de contingência: estabelecer planos claros para emergências médicas, evacuação, mudanças de itinerário e comunicação com a empresa;
- Conformidade com a LGPD: garantir que dados pessoais utilizados no monitoramento, como localização, contatos de emergência ou informações de saúde, sejam tratados com base legal adequada, transparência e medidas de segurança compatíveis com a Lei Geral de Proteção de Dados;
- Monitoramento contínuo: acompanhar alertas oficiais, mudanças regulatórias e eventos imprevistos durante o deslocamento;
- Registro e análise pós-viagem: documentar ocorrências, quase-incidentes e aprendizados para aprimorar a política e os processos.
Saiba mais: tudo sobre gestão de riscos em viagens corporativas.
Como o duty of care impacta a política de viagens corporativas?
O duty of care não deve ser tratado como um complemento da política de viagens, mas como um de seus fundamentos estruturais, integrando segurança, conformidade e eficiência operacional à governança da mobilidade corporativa.
Na prática, o impacto do duty of care na política de viagens corporativas se manifesta em diferentes dimensões:
- Definição de critérios para destinos e deslocamentos: políticas mais maduras estabelecem parâmetros para viagens a destinos com níveis distintos de risco, podendo exigir aprovações adicionais, planos de contingência ou restrições específicas;
- Escolha de fornecedores homologados: a seleção de companhias aéreas, hotéis e parceiros de mobilidade passa a considerar padrões mínimos de segurança, suporte e confiabilidade, não apenas custo;
- Obrigatoriedade de canais oficiais de reserva: centralizar reservas em sistemas autorizados permite rastreamento do viajante, acesso a dados em tempo real e acionamento rápido em caso de emergência.
- Canais de suporte 24h e comunicação estruturada: a política deve definir como o colaborador entra em contato com a empresa durante imprevistos e quais são os fluxos internos de resposta.
- Integração com gestão de despesas: despesas corporativas relacionadas a emergências, alterações de itinerário ou contingências precisam estar previstas na política;
- Registro e monitoramento de ocorrências: políticas alinhadas ao duty of care incluem mecanismos de registro de incidentes e revisão periódica de protocolos com base nos dados coletados.
Como o duty of care acontece na prática durante uma viagem corporativa? Exemplos
O duty of care está presente em todas as etapas da viagem corporativa, na prevenção e preparação antes de um deslocamento; no suporte e segurança durante a viagem; e na coleta de feedbacks no pós.
Confira a seguir exemplos práticos de aplicação.
Antes da viagem: prevenção e preparação
A fase pré-embarque é onde o duty of care mais reduz vulnerabilidades.
Na prática, isso envolve:
- Avaliação do destino quanto a riscos sanitários, climáticos, políticos ou de segurança pública;
- Comunicação prévia ao viajante sobre protocolos locais, canais de emergência e regras internas;
- Garantia de que a reserva foi feita por canais oficiais, permitindo rastreabilidade;
- Validação de seguros, assistência médica e coberturas aplicáveis;
- Aprovações adicionais para destinos classificados como sensíveis.
Durante a viagem: monitoramento e resposta rápida
No período em que o colaborador está fora da base, o duty of care se traduz principalmente em capacidade de resposta e suporte.
Isso significa:
- Disponibilidade de canal 24h para suporte;
- Monitoramento ativo de alertas de risco no destino;
- Capacidade de reacomodação rápida em casos de cancelamento de voos, eventos climáticos ou instabilidade local;
- Registro estruturado de incidentes e acionamento interno quando necessário.
Após a viagem: análise e aprimoramento
O duty of care não termina no retorno do colaborador. A etapa pós-viagem é fundamental para consolidar o aprendizado.
Na prática, isso inclui:
- Registro de ocorrências e quase-incidentes;
- Coleta de feedback estruturado sobre riscos percebidos;
- Avaliação de desempenho de fornecedores sob a ótica de segurança;
- Revisão de protocolos quando necessário.
No vídeo a seguir, você entende mais sobre como parceiros estratégicos, como a VOLL, superam índices e protege informações com governança e segurança de dados:
Passos para estruturar um programa de duty of care
A experiência acumulada por especialistas da VOLL em conjunto com gestores de grandes empresas que operam programas complexos de mobilidade mostra que organizações com programas de viagens mais maduros seguem alguns passos para consolidar o duty of care de forma consistente.
A seguir, reunimos um pouco dessa expertise para te ajudar a construir um programa de duty of care a partir dos passos:
1. Entender o nível real de exposição da empresa
Antes de definir protocolos, é necessário compreender a dimensão da exposição: quais destinos são mais frequentes, quais regiões apresentam maior instabilidade, qual o perfil dos viajantes e qual o grau de criticidade das missões realizadas.
Sem esse mapeamento, o programa tende a ser genérico e pouco aplicável.
2. Definir governança e responsabilidades claras
Um programa de duty of care exige definição objetiva de papéis internos.
É fundamental determinar quem responde por decisões relacionadas à segurança, quem acompanha deslocamentos em tempo real e quais áreas participam da gestão de incidentes.
Sem essa clareza, situações críticas tendem a gerar atrasos e sobreposição de responsabilidades.
3. Integrar o duty of care à política de viagens
A proteção do colaborador deve estar refletida nas regras formais da empresa.
Critérios para destinos sensíveis, exigência de canais oficiais de reserva, protocolos de comunicação e diretrizes para contingências precisam constar na política de viagens corporativas.
4. Implementar monitoramento e canais de suporte contínuos
Programas maduros adotam mecanismos de acompanhamento durante a viagem, com canais acessíveis 24 horas por dia e fluxos internos de resposta definidos.
O objetivo é reduzir o tempo entre a ocorrência de um incidente e a ação da empresa, fortalecendo a capacidade de resposta.
5. Capacitar colaboradores e promover cultura de prevenção
O duty of care não depende apenas de estrutura, mas também de comportamento.
Orientar viajantes sobre riscos, protocolos e canais de suporte contribui para decisões mais conscientes e reduz vulnerabilidades evitáveis.
6. Monitorar indicadores e revisar continuamente
Riscos evoluem conforme o cenário global muda. Por isso, é essencial acompanhar ocorrências, revisar classificações de destinos e ajustar protocolos com base em dados reais.
O programa deve ser dinâmico e adaptável, e não um conjunto estático de regras.
Por que a VOLL é a parceira ideal para garantir a segurança e o bem-estar dos viajantes
A VOLL é a maior agência de viagens corporativas digital da América Latina e atua diretamente na operacionalização do duty of care dentro dos programas de mobilidade corporativa de centenas de empresas do Brasil e do mundo, como Itaú, Ifood, Afya e outras diversas.
Mais do que apoiar a estruturação de políticas, a VOLL viabiliza a execução prática das diretrizes de segurança antes, durante e após as viagens, oferecendo funcionalidades como:
- Rastreabilidade em tempo real: centralização de reservas e visibilidade sobre deslocamentos ativos, permitindo ação rápida diante de eventos imprevistos.
- Suporte 24h integrado: canal contínuo de atendimento ao viajante, reduzindo o tempo entre incidente e resposta.
- Política incorporada ao sistema: regras já aplicadas no momento da reserva, diminuindo exceções e exposições desnecessárias.
- Integração com gestão de despesas: previsibilidade de custos relacionados a contingências e registro estruturado de ocorrências.
- Apoio consultivo especializado: especialistas que apoiam gestores na revisão de políticas, critérios de risco e fluxos internos de resposta.
Com milhares de usuários no Brasil e no exterior, a VOLL combina tecnologia e consultoria para transformar o duty of care em prática contínua dentro da gestão de viagens corporativas.
Os resultados obtidos em grandes organizações reforçam esse posicionamento.
No case conduzido com o Itaú, a operação alcançou NPS de 83/100, aliado a 98% de adesão orgânica à plataforma e total conformidade em auditorias internas.
Já na Vitru, o NPS evoluiu de 67 para 80 em apenas um ano, refletindo maior eficiência operacional, agilidade nas aprovações e uma jornada mais fluida para os colaboradores.
Por isso, se sua empresa também busca aumentar a percepção de segurança, confiança e satisfação durante as viagens corporativas, entre em contato com a VOLL e saiba mais sobre como estruturar um programa de duty of care consistente e integrado à sua política de viagens.
Perguntas frequentes sobre duty of care
A seguir, você confere mais respostas sobre o dever de cuidado.
O que é duty of care?
Duty of care, ou Dever de Proteção, é a obrigação legal e ética de uma empresa em garantir a saúde, segurança e bem-estar de seus colaboradores. No contexto de viagens corporativas, envolve monitorar riscos e oferecer suporte imediato ao viajante em qualquer situação de emergência.
Por que o duty of care é importante para as empresas?
A importância do duty of care se concentra na mitigação de riscos jurídicos e na proteção do capital humano. Empresas que negligenciam esse dever podem enfrentar processos legais, multas e danos à reputação, além de comprometer a produtividade e a confiança dos funcionários.
Como aplicar o Duty of Care em viagens corporativas?
Para aplicar o duty of care com eficiência, a empresa deve:
- Estabelecer uma política de viagens clara e segura;
- Utilizar tecnologias de rastreamento e comunicação em tempo real;
- Oferecer treinamentos de segurança aos colaboradores;
- Contratar seguros de viagem abrangentes e assistência 24h.
Qual a diferença entre Duty of Care e Seguro Viagem?
O seguro viagem é um produto financeiro que cobre despesas médicas ou perdas materiais. Já o duty of care é uma estratégia de gestão e uma responsabilidade contínua da empresa, que engloba desde o planejamento da viagem até o suporte preventivo e a gestão de crises.
Duty of care é o mesmo que compliance?
Não. Enquanto o compliance garante que o colaborador siga as regras e normas da empresa (foco no processo), o duty of care garante que a empresa proteja o colaborador de riscos externos (foco na segurança). Ambos são pilares de uma gestão de viagens eficiente.
Como a tecnologia auxilia no Duty of Care?
Plataformas de gestão de viagens (TMCs e travel techs), como a VOLL, garantem o Duty of Care através da possibilidade de rastrear colaboradores em deslocamento, canais de suporte humanizado e multicanal disponíveis 24 horas por dia.


